Reflexões de uma Terapeuta Sobre o Suicídio em Jovens

Por Vera Regina Miranda
 

O que leva alguém jovem, no auge de sua vida, com tudo ainda para ser vivido a interromper este processo natural?

A adolescência, fase de turbulências, de alterações físicas, hormonais e psicossociais se caracteriza por busca de romance, aventuras e risco.O suicídio às vezes é motivado por um romance intempestivo, por um amor não correspondido,mas, principalmente pela falta de amor por si, por sua vida, pela falta de sentido para sua existência. Parece que as dores, os sofrimentos, os obstáculos e as adversidades são sentidas como muito maiores do que as alegrias, as conquistas, os encontros. O que fazer para contribuir de modo a impedir que o suicídio se alastre, levando jovens que tanto poderiam fazer por si mesmos e pelos seus? Será que as pessoas têm tal poder, o poder de mudar o destino, quando a busca incessante é pela morte e não pela vida? Seria uma aventura e um grande risco acabar com a própria vida?

Parece que há alguns sinais que esta pessoa vai deixando durante sua caminhada ,talvez muitos sinais(tristeza, pensamentos e menções a desejos de morte, tentativas frustradas de suicídio, sono excessivo, desânimo frequente, irritabilidade intensa, entre outros) mas estes na maioria das vezes nem sempre servem para alertar e sensibilizar para o grande sofrimento desta pessoa. Alguns não procuram ajuda externa (de psiquiatras, psicoterapeutas), ou o fazem sem envolvimento e/ou sem participação familiar.Afinal o sintoma do depressivo é de quem? De quem é a responsabilidade pelo resgate do desejo de viver ?

O suicida se livra dos problemas e num ato de coragem covarde, se livra deles e de si mesmo e deixa todos que ficam, imersos em um mundo de dor, de muita culpa, pensando o que cada um poderia ter feito para mudar este curso(o que não fizeram, não disseram e também o que disseram e fizeram que não deveriam….) Os que ficam sentem-se confusos, abandonados,traídos,perdidos num tumultuado mar de reflexões sem resposta, pois o único que colaboraria neste esclarecimento não esta mais presente para fazê-lo. Às vezes ficam cartas como mensagens para dizer o que não foi dito em vida,cartas relidas e nunca digeridas…escritos sobre aspectos que seu leitor impotente, nada pode fazer!

O que cada um poderá fazer a respeito? Talvez seja passar a adotar atitude de olhar e ouvidos mais abertos para ver sinais e agir precocemente diante destes, não permitindo que tardiamente a impotência venha a impedir qualquer movimento.

Quisera na minha humildade mental, que as mães, pais, amigos, namoradas e namorados, maridos e esposas, médicos e terapeutas fossem acolhedores e que conseguissem sensibilizar para a beleza da vida, para a importância de se ter um projeto e uma meta para a qual lutar,que pudessem demonstrar nas suas ações o quanto suas vidas tiveram sofrimentos ,mas que valera o esforço, o empreendimento pela superação das adversidades. Não sei se isto seria suficiente para impedir o suicídio, mas certamente contribuiria para aumentar a auto-estima de filhos, parceiros afetivos e clientes.

Como é maravilhoso AMAR a vida e o ser humano e como é doloroso viver a impotência por não ter conseguido sensibilizar, de algum modo, para que todos sintam isto também!!!