Reflexões Contemporâneas Sobre a “Arte De Educar”

Por Psic. Daiana Ribas CRP 08|15586
 

O Século XX foi mesmo revolucionário e tirou muitas coisas dos seus lugares, tanto no contexto social, como nas famílias e nas escolas.

A família nuclear (pai, mãe, filhos) cedeu espaço para novos modelos familiares como: recasamentos, casamentos homossexuais, pais e/ou mães solteiras, etc. Consequentemente as formas de educar também mudaram, onde antes víamos um modelo de educação hierárquica, onde o Pai era a autoridade máxima na família, hoje convivemos com o modelo heterárquico, onde todos os integrantes da família participam da tomada de decisões.

Essas mudanças também se refletiram no contexto Escolar, pois, pela competitividade no mercado de trabalho e a saída da mulher do seu papel excluso de mãe e esposa, as crianças começaram a ingressar cada vez mais cedo nas Instituições Escolares (a partir dos 4 meses de idade) o que delegou ás escolas, além de sua responsabilidade pela educação formal, a responsabilidade pela educação moral e psicológica.

Segundo Claudio Naranjo, autor de “Mudar a Educação para Mudar o Mundo”, ressalta que, assim como o Renascimento Italiano se centrou em torno da arte, o renascimento da nossa época se dará em torno do Psicológico. Exemplos disso são os muitos casos de desequilíbrio emocional, depressão e suicídio de crianças e adolescentes de famílias com recursos financeiros para dar o melhor para seus filhos, mas vivem as dores da precariedade afetiva e a falta de tempo por parte de seus pais.
Atualmente as crianças apresentam comportamentos nunca vistos antes, como postura de confronto e desacato aos pais e professores. A agressividade e o desrespeito são crescentes, a drogadição e a falta de regularização das emoções se tornaram comuns. Vemos crianças cada vez mais sérias e fechadas, sendo habituais os diagnósticos de hiperatividade, déficit de atenção, fobias, ansiedade generalizada e depressão.

Na atualidade, tanto a educação dos filhos, como a educação, necessitam ser sempre repensadas, principalmente no modo como se estabelecem os vínculos psicoafetivos entre adultos e crianças durante a infância inicial. Essa tarefa não é mais exclusiva dos pais, mas também dos educadores, que além de se preocuparem com a educação formal, devem estar atentos á educação emocional, já que as crianças, até sete anos estão em formação de sua personalidade.
A Organização Mundial da Saúde, alerta sobre as consequências dos problemas emocionais da Infância na formação do cérebro, ratificando a relação da depressão e da pseudodebilidade com a ausência de bons vínculos entre as crianças e cuidadores durante a infância inicial.

A Neurociência recentemente comprovou, com sofisticados exames de imagens, que a afetividade libera neurotransmissores que estimulam as conexões neurais, fundamentais ao desenvolvimento inicial do cérebro e ao amadurecimento da estrutura Infantil. O desenvolvimento infantil se dá por etapas, o que significa que determinadas idades são especialmente favoráveis para a consolidação de pontuais aptidões emocionais, cognitivas e físicas. São momentos especiais, em que certas áreas do cérebro estão em maturação, facilitando o desenvolvimento de habilidade e a introspecção de valores, regras e limites. (Reichert, 2009)

Por isso, as fases podem ser chamadas de períodos preciosos e sensíveis, onde nós, educadores, devemos priorizar a importância de bons vínculos e condutas educacionais conscientes e preventivas na infância.

Referencias:
NARANJO, Claudio. Mudar a Educação para Mudar o Mundo. Esfera: 2005.
REICHERT, Evânia. Infância – A Idade Sagrada. Vale do Ser: 2009.