A Felicidade Nossa de Cada Dia

Por Thays Araujo
 

Não é possível encontrar a felicidade, mas sim construí-la e exercitá-la”.

Estudos mostram que felicidade não depende de bem-estar material, status social, estudo, beleza e saúde (mesmo pessoas com doenças crônicas conseguem se sentir felizes por existir). Então o que faz as pessoas felizes?

Relações sociais: ter um companheiro(a), um círculo familiar e de amizades e relações que favoreçam crescer pessoalmente exercem grande influencia no quanto alguém se sente feliz.

Atividades: sejam de lazer ou de trabalho. O importante é ter ao que se dedicar, criar e produzir.
: a crença em algo maior que fornece esperança e cria laços com comunidades em comum que partilham das mesmas crenças (religiosas, filosóficas, espirituais, etc) cria um sentido e um propósito de vida.

Desta forma, a felicidade está mais ligada a um estado de espírito do que às coisas que podemos possuir. Além disso, a felicidade tem alguns componentes:
Prazer e alegria: sentimento de prazer e de alegria que vivenciamos;
Envolvimento: estar envolvido com atividades que dão sentido a vida;
Contentamento: relacionado à satisfação do que já realizamos;
Serenidade: paz de espírito e o entendimento que se tem dos acontecimentos.

Esses 4 componentes encontram-se de diferentes formas e intensidades no ciclo vital. o Cada componente está presente ao longo de toda a vida, mas em determinados ciclos, há um foco maior em cada um deles. O prazer e a alegria são facilmente encontrados na juventude, o envolvimento na idade adulta, o contentamento na maturidade e a serenidade na velhice. Ou seja, a percepção de felicidade varia com a idade e o momento de vida.

E ao longo da vida nos deparamos com alguns inimigos da felicidade. O apego a pessoas e coisas materiais é um deles, pois limita as possibilidades de ação e de escolha e vai contra a lei natural da vida onde tudo ocorre em ciclos e a despedida, a perda e as mudanças são constantes.

O hábito pode ser um inimigo da felicidade quando que ele trás acomodação às situações vividas. A adaptação é natural do ser humano e uma questão de sobrevivência, do contrário viveríamos em constante ansiedade e estresse, porém, a adaptação pode levar a acomodação e aquilo que antes era algo que gerava entusiasmo, com a adaptação pode passar a gerar monotonia e desinteresse. Por exemplo, a pessoa sem carro quando adquire um fica imensamente contente com o fato, mas depois de um tempo a alegria dá lugar ao estresse no trânsito; uma pessoa sonha em encontrar um amor verdadeiro e depois dos primeiros meses de paixão, as preocupações cotidianas voltam a ser o centro da atenção e o “frio na barriga” já não ocorre mais.

Esses são alguns exemplos de acomodação, mas que podem ser modificados de acordo com o foco que passa a se dar aos momentos vividos, tendo uma forma diferente de pensar. Nos exemplos acima, poderia ser “que bom que tenho meu próprio carro que me dá conforto e me leva para onde quer que eu vá” e “estou contente por minha companheira voltar pra casa todas as noites e ter com quem dividir meu dia”.

Desta forma, é possível saborear as pequenas alegrias do cotidiano e valorizar o que se conquista dia-a-dia.

Outro inimigo é a mágoa. Cada um de nós carrega consigo as feridas da vida e junto com elas a sua dor. Um antídoto para a mágoa ou o rancor é o perdão (do outro e de si próprio), o qual é um exercício de otimismo e generosidade que vale a pena pela possibilidade de libertar-se da raiva.

A auto-cobrança é mais uma vilã inimiga da felicidade. Ela nos impede de perceber o que realizamos de bom e nos foca naquilo que não gostamos ou não efetuamos e a conseqüência disso acaba sendo o desânimo e a queda na motivação.

O medo excessivo também impede a felicidade, pois paralisa e bloqueia a confiança (em si mesmo e na vida), diminuindo o senso de realização e de estar produzindo algo de importante e valoroso na vida.

Entre tantos vilões, há também as crenças que temos sobre tudo o que vivemos. Agimos de acordo com o que acreditamos e se acreditamos que não somos bons o suficiente, que não somos merecedores de amor e sucesso, que o sol é para poucos, que sonhar não vale a pena, etc., estaremos diminuindo as chances de sermos felizes. Ter crenças positivas sobre si mesmo, os outros e sobre o propósito da vida ajuda a alimentar a felicidade e a deixá-la mais presente no nosso cotidiano.

A felicidade não se encontra pronta, mas se constrói pouco a pouco.
Ela não depende daquilo que nos falta, mas sim da maneira como
usamos aquilo que possuímos.

(Arnaud Desjardins)