A Autoestima e o Papel dos Educadores

Por Vera Regina Miranda
 

Qual a importância da autoestima na vida de uma pessoa?

A auto estima refere-se ao valor, à idéia que eu atribuo à minha própria pessoa, a como eu me sinto intimamente comigo : ao meu corpo, à minha inteligência, às minhas habilidades acadêmicas, profissionais, afetivas, sociais, ao meu gênero, entre outros.

Auto estima positiva significa gostar de ser quem se é.

A auto estima vai se formando desde cedo, através de nossas experiências e de nossa percepção de que nossas atitudes geram efeitos nos outros. Dependendo de como reagimos às situações e de como reagiram às nossas atitudes e reações podemos desenvolver uma auto estima positiva ou negativa. Quando ela é positiva, nos julgamos bonitos, inteligentes, poderosos e, quando negativa, tendemos à auto depreciação de nossos atributos .E, lembrando do conceito de profecia auto realizadora, se consideramos que somos inferiores, tendemos a agir no mundo com medo, de modo a demonstrar nossa menos valia, o que reforça nossa crença em nossa incapacidade, justamente pela concretização em nossa vida de nosso pouco potencial de realização.

Reforço aqui a afirmativa de Briggs de que “a auto estima é a mola que impulsiona a criança para o êxito ou fracasso enquanto ser humano.” Ainda referenciando-se a esta mesma autora, o auto-respeito baseia-se nas seguintes convicções: EU POSSO SER AMADO,SOU IMPORTANTE,TENHO VALOR ,SEI QUE TENHO ALGO A OFERECER.

Qual o papel dos pais no desenvolvimento da autoestima da criança?

Como a família é a primeira agência de socialização e aprendizagem de uma criança, o papel dos pais no desenvolvimento da autoestima da criança é extremamente importante. Neste convívio familiar ela ouve e enxerga como agem seus pais em relação a si mesmos, ao cônjuge, aos seus amigos e aos seus filhos. E, pode haver congruências ou incongruências entre o que digo e faço e como eu reajo. Os pais são espelhos aonde os filhos podem se refletir e se identificar, assim como os demais relacionamentos significativos, com professores, colegas e amigos. A criança só pode se ver através dos reflexos que ela produz nos outros.

O que os pais podem fazer para desenvolver a autoestima de seus filhos?

Demonstrar prazer no que o filho faz, valorizar seus esforços e tentativas, não desqualificar erros e assumir os seus próprios, pois afinal ,os pais também são humanos e falíveis.

Estimular que o filho enfrente a vida e aí entram os conflitos, momentos de desentendimentos com irmãos e colegas, permitindo-lhe exprimir suas emoções (aprimorando seus recursos comunicacionais) e possibilitando que ele próprio(pai e mãe) enfrente as situações ,ao invés de agir por eles.

Auxiliar filhos a terem reponsabilidade pelos seus atos, levando-os a se questionarem: o que VOCÊ fez para ter esta nota baixa, este distanciamento de seu amigo..

Sensibilizar para que seus filhos busquem dar o SEU melhor em tudo o que fizerem, investindo no seu crescimento, o que não significa que eles tenham que ser OS MELHORES.

Atitudes parentais que mobilizem no filho confiança, não julgamento, segurança de ser amado, empatia( se colocar no lugar dele, se ver com o olhar do filho),são alguns aspectos a serem praticados na direção de contribuir com uma auto estima positiva.

Poppovic menciona a importância dos professores, e podemos claramente reforçar então que os educadores(pais e professores) devem investir energia para sensibilizarem na criança os 3 motivadores: EU SOU ALGUÉM, EU RESPEITO OS OUTROS, EU QUERO QUE ME RESPEITEM.

Estes motivadores são reforçados quando demonstrações de que a criança é importante para eles, merece sua atenção, sua proteção, seus cuidados e carinho. Isto tudo vai acarretando no desenvolvimento da confiança e fortalecimento interno. Se a criança sente que é ALGUÉM, ela automaticamente e como consequência respeitará as pessoas e exigirá ser tratada com respeito.

Quais são os maiores erros que os pais cometem nesse assunto? Que tipos de atitudes resultam em problemas de autoestima?

Atacar os filhos com palavras, tecendo críticas ao seu comportamento e não à sua pessoa. É preferível dizer: não gostei do que você fez, ao invés de não gosto de você.

Pensar que deve-se dizer apenas SIM e evitar frustrações ao filho .Isto pode ser um grande equívoco, pois o ato de viver pressupõe administrar contrariedades e imprevisibilidades, que devem ser administradas dentro e fora do contexto familiar, porque cedo ou tarde elas surgirão.

Lembrar que o excesso de proteção não permite a imunidade psicológica e pode levar a criança a passar a acreditar que apenas seus pais são capacitados para agir (são seus porta-vozes),passando a depender deles em atitudes nas quais eles próprios deveriam ter iniciativa e autonomia.

Excessos de cobrança e de perfeccionismo podem geram a sensação na criança de que nada do que ela faz é bom o bastante e, consequentemente que ELA não é boa, capaz, etc.

Como lidar com as interferências externas?

Tudo isto faz parte da vida: elogios, críticas construtivas e destrutivas .Procurar manter um clima de diálogo familiar onde a criança e o jovem possam partilhar seus sentimentos de alegria, medo, frustração, raiva diante do que lhe aconteceu pode transmitir-lhe o acolhimento e a segurança. Isto porque sentirá que possui espaço para falar, que merece ser ouvida e não julgada e os familiares irão lhe dar apoio e as orientação pertinentes .

Para concluir um tema tão amplo e que suscita tantos questionamentos, face à sua relevância, principalmente na caminhada humana, menciona-se uma reflexão de Buber:

“O homem deseja ser confirmado em seu ser pelo homem e anseia por uma presença no ser do outro…..-secreta e timidamente, ele espera por um SIM que lhe permita ser, e que só lhe pode vir de uma outra pessoa humana.”(BUBER)